sexta-feira, 19 de janeiro de 2007


A porta do quarto do vale de luz

-- Oh! Cor púrpura de minha espada!
E olho todo este sangue que é meu.
Verte de meus poros tão cansados
De enfrentar a árdua batalha de viver!

Vocês se trancaram num quarto.
Todos quietos para que eu não perceba
A presença particular de cada um!
Mas eu sinto o ofegar de teus receios
De dar de cara com a minha historia
De tanta gloria a disfarçar as derrotas.

Sou como são vocês: Carne, sangue e medo!
Mas achas que não sirvo a tua corte!
Sois como arpinhas que sugam do pente a bala
E quando se tem vencido, cospem a nossa cara!
Lavam depois as mãos do imperador,
Sorriem, escolhem, maltrata!

Saibam meus amigos, há muito mais no mundo
Que este que teus olhos enxergam ao nariz!
Eu vim da gloria, me arrastei no limbo,
Andei milhas em um deserto de desespero,
Nadei afogando no feroz rio do amor!
Enxerguei a maçã do pecado, conversei com um anjo,
De noite por bandidos fui assaltado,
Levaram minhas botas, meu escudo e meu cavalo!

De repente... silencio...
O assassino sai do quarto...
Ele tinha o meu rosto...
Sorria aliviado...
Bateu em meu ombro...
E foi andando até sumir!
Ai então percebi
Que, mesmo vivos ainda,
Eles haviam morrido para mim!!

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