quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007




















Uma só palavra!

Engula, oh poeta, esta tua poesia.
Deixe descer guela a baixo este teu gosto.
Estrangule seu peito ao reler.

É preciso comer... é preciso manter-se.
É preciso acertar as contas
Que, inevitavelmente, virão.
Nem que para isso, deixe de viver o sonho.

É também preciso saber, oh estúpido poeta,
Que as pontas dos dedos falam,
Mas é o braço quem busca o sustento!

Martírio? Édipo que o diga...
Vazar o próprio olho
Por algo inevitável em sua vida!
Oh imbecil poeta!
Comparar-se a um rei?!
Reis ganham ordenando...
A plebe ganha cumprindo!

Engula já este orgulho...
Orgulho este com gosto de vinagre
Por ter sido encharcado de vinho.

A sociedade te quer sociável...
Os teus te querem são...
Tua loucura é incompreensível
E o incompreendido se acomete a solidão!

Anda! Finja! Se preciso for sorria!
Mostre os dentes tortos de tua boca!
Engula teus poemas chulos e tristes...
Finja escrever algo alegre!

O que não cabe mais, oh poeta estúpido,
É para qualquer pessoa do mundo,
Quando os teus falarem de ti,
Proferirem a palavra ‘vagabundo’!

Obs.:
Desenho de Diogo Oliveira
Poesia de Diego Calvo

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