quarta-feira, 7 de julho de 2010











EM CIMA DA PASSARELA

Por: Diego Calvo
Fotos: Diego Calvo

Me mandaram as 7h da noite fotografar um viaduto que iria ser inaugurado aqui em Guarulhos, na Dutra. Fui lá eu estrategicamente me posicionar em uma passarela a frente do bendito. O tal é realmente lindo, mas foi feito para servir apenas de cartão postal, visto que liga o nada a lugar algum.

Vi um destes certa vez no interior do sul de Minas, próximo a Varginha, mas agora não vou me lembrar da cidadezinha, alias, nem agora e nem tão cedo, visto que dificilmente terei a lisonje de comer um ovo caipira em um rancho quase ao pé deste colossal emaranhado de ferro e madeira no meio do mato.

Bom, mas voltando a Guarulhos, estava eu lá em cima da bendita passarela, escura feito quarto de filme de terror. Vez ou outra me passava uma alma viva, mal encarada e nutrida daquela ar de desconfiança. Não sei quem tinha mais medo, eu com meu caro equipamento retratista, ou o transeunte diante de um ser barbado, tripé e trambolho fotográfico a mão que na escuridão não perde nada para uma bazuca.

-- O que este porra faz aí? – acho que se perguntavam. Alias, uns até me perguntavam, eu dizia:

-- Estou fotografando para o jornal! – As vezes, para aumentar ainda mais meu medo daquele lugar isolado e escuro, chegava alguém e me perguntava. – Mas... você está fotografando sozinho aqui? E com este equipamento todo? – Eu, claro, respondia: -- Não, não! Tem uma equipe lá embaixo me esperando! – Idiotice de uma mente com medo, pois era só o cara olhar para baixo e certificar-se que se tivesse alguém me esperando, só poderia ser o homem invisível! Mas, naquela altura, qualquer mentira me deixava mais seguro!

Liguei para a redação: -- Pô gente, aqui está sinistro! Só passa gente estranha, está muito escuro, já garanti foto do viaduto iluminado, lindo... posso ir embora? – (esta foi a maneira mais educada que eu ache para dizer... Porra, to me cagando de medo! Deixa eu ir embora!) – Não Calvo, fica aí, vai ter uma queima de fogos bacana e a foto de capa é essa, a ponte com os fogos representando a inauguração!

Para piorar a situação, se aproxima de mim um negão 3x4, fumando um cigarro, e diz: -- E ae cara, vai inaugurar esse viaduto hoje?—Eu, com a voz firme, para não demonstrar medo, disse:

-- Vai sim ó cara, pior para mim que tenho de ficar aqui!

-- Mas sozinho? – Disse ele, reafirmando o que eu disse antes.

-- Não! Tem uma equipe lá embaixo! – Reafirmando o que disse para todos os que me perguntaram. Claro que ele olhou para ver a tal equipe, mas não tinha ninguém. E concluiu:

-- Pô cara, passo aqui todo dia para ir trabalhar! – Aquele gigante, me olhou com uma cara estranha e concluiu – Eu morro de medo!!! Você é bem corajoso! – Puta que pariu! Acabou comigo! Se esse cara está com medo, imagina eu! Ali realmente era muito, mas muito, perigoso!

Ao fim das contas, esperei a tal queima de fogos e, para minha surpresa, os organizadores fizeram o favor de, com o perdão da palavra, me fuderem! Depois de duas horas em pé, no escuro, travando tudo para não me borrar de medo, vendo ir de lá para cá pessoas que a todo momento davam a impressão de serem maníacos assassinos em série ao velho estilo Dr. Hannibal, eles me soltam os fogos atrás de um prédio próximo ao viaduto e não deu para fotografar!

É de lascar né!

2 comentários:

  1. http://www.panoramio.com/photo/39832060

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  2. Caraca Diego que treta heim, eu conheço aquele lugar já fui lá tambem e relamente é sinistro de mais tu teve muita coragem e sorte lá e parabens pela foto ficou muito linda

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