quinta-feira, 22 de julho de 2010

Gênios não existem mais?

Não é que não existam mais gênios, acontece que perdemos nosso interesse por eles.
Por Diego Calvo


Nós, desta rápida sociedade, estamos mais preocupados com o pagamento das contas no fim do mês, no final da novela, em amarrar os cadarços e saber dar nós em gravatas, e não enxergamos que os gênios ainda estão por aí, fazendo cálculos, poemas, literatura etc.
Na época de Einstein, todos tentavam entender o que ele dizia, ficávamos felizes em sacar ao menos 10% de toda complexidade. No entanto, hoje, mensagens rápidas, livros mastigados e pensamentos torpes é que fazem todo sucesso. Aposto que o russo Fiódor Dostoiévski se revira no túmulo quando dizem que Dan Brown é um gênio da literatura.
Até mesmo a Academia Brasileira de Letras já se rendeu à nova máxima que diz que “gênio é aquele que consegue ficar milionário com a arte”, visto dar uma cadeira a Paulo Coelho. Não estou desmerecendo o escritor de “Diário de um mago” (que já li), nem mesmo o de “O código Da Vinci”, realmente eles são bons em sacar o que é tendência, mas o ponto de gênio está longe. Seria o mesmo que dizer que Marcelinho Carioca foi tão bom quanto Pelé.
Quando o matemático russo Grigory Perelman, 44 anos, resolveu um dos maiores problemas da matemática, a Conjectura de Poincaré e recusou o prêmio de 1 milhão de dólares dado pelo Insti¬tuto de Matemática de Clay a quem resolvesse tal cálculo, causou polêmica no mundo, pois não estamos falando de uma pessoa rica, cheia de dólares que iria pegar o prêmio e doar, falamos de um cara que vive em um cômodo com uma escrivaninha, um banco e uma cama em São Petersburgo e quem vê a criatura, pensa logo nos nômades das idades remotas da humanidade. Perguntado o porquê de não querer falar com a mídia, disse: “o que fiz, não acrescenta em nada para a humanidade” e concluiu pela fresta da porta de sua casa, “tenho tudo o que quero!”.

Tudo chega tão rápido que nos esquecemos de perguntar de onde vem, por isso, a impressão de que os gênios só existiram no passado está cada vez mais se concretizando e, na falta deles, acabamos cometendo o erro terrível de substituí-los por cópias cada vez mais foscas e com a tendência de mastigar bem antes de dar-nos de comer. Eu, na verdade, gosto mesmo é de mastigar meu próprio alimento.

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