sexta-feira, 23 de julho de 2010




O caso do garoto comido por cães
Por: Diego Calvo
Fotos: Diego Calvo

A vida nos prega peças todos os dias. Neste caso, um adolescente sai de casa para ir brincar na rua, olhar alguns carros para levantar uma grana, pula o muro de uma propriedade particular, talvez, atrás de um pipa, e acaba morto por dois rottweilers. Parece ficção, mas aconteceu.

A mãe, primeiro fica ali, parada, querendo não acreditar. Sofrendo de alguma doença mental e obvia dependência alcoólica, às vezes, tem de ser controlada pelo companheiro igualmente dependente. Mesmo assim, fica ali, com olhar perdido.
Claro que ela não tem condições nenhuma para criar uma criança, mas quando o corpo do garoto sai do terreno, ela se desespera e o companheiro, agora carinhoso, consola.
Curiosos se aglomeram cada vez mais, é quase uma festa. Todos querem chegar em casa e falar aos seus: “Nossa, vocês não sabem o que vi?!” e depois levar a história consigo e se vangloriar em mesas de bar para o resto da vida: “Teve uma
vez que vi um garoto devorado por dois cachorros!”

Depois que o “carro de cadáver” fecha as portas, a ficha cai, o tal companheiro grita dizendo que vai matar os cães. O tratador sorri e fala que não tem nada a ver com isso. E a revolta é uma eminência que a polícia logo contém, conversa com o companheiro, e tudo fica mais tranquilo, mas não menos triste.

Entro no taxi pago pelo jornal e me vou. Tento não imaginar que dali, mãe e companheiro, vão parar no
primeiro bar e beber, beber não, encharcar o morto.

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