quinta-feira, 8 de julho de 2010

9 DE JULHO: O DIA DO LEVANTE PAULISTA



Revolução Constitucionalista de 1932 entrou para a História como o maior conflito armado em território brasileiro

Por: Diego Calvo
Texto originalmente publicado no Site e no Impresso do Diario de Guarulhos



No ano de 1932 milhares de paulistas, industriais, estudantes, políticos, entre outros, uniram-se para exigir a criação de uma nova Constituição. Com o cenário político fortemente conturbado da época, em 9 de julho os paulistas deram início ao maior conflito armado da História brasileira.

Em 1930, Getúlio Vargas deu um golpe político e depôs da Presidência Washington Luís que seria sucedido, naquele ano, por Júlio Prestes, dando fim à política do “Café com Leite”, modo de governar da chamada República Velha, onde um representante paulista e um mineiro se alternavam no poder. Vargas eliminou a Constituição vigente com a promessa de criar uma nova em breve, no entanto, com dois anos passados, nada tinha sido feito.

Em seu livro “A Revolução Paulista”, Menotti Del Picchia, então ajudante nas ordens do governador Pedro de Toledo, nomeado em 7 de março de 1932, relata que a população estava inflamada e manifestações aconteciam em toda parte da capital e interior.

Em uma destas manifestações, no dia 23 de maio, quatro estudantes foram alvejados: Mario Martins de Almeida (Martins), Euclides Bueno Miragaia (Miragaia), Dráusio Marcondes de Souza (Dráusio), Antônio Américo Camargo de Andrade (Camargo). As iniciais de seus nomes deram origem ao movimento denominado M.M.D.C. Hoje em dia, este passou a ser chamado de M.M.D.C.A., pois um quinto estudante, Orlando Oliveira Alvarenga (Alvarenga), também foi alvejado e morreu meses depois.

Frente à situação de indignação do povo diante de um governo ditatorial, São Paulo foi às armas. Dados da Policia Militar (PM) indicam que atuaram na revolução 9 mil homens da Força Pública (atual PM do Estado de São Paulo), 3 mil do Exército e da Marinha, e dezenas de milhares de voluntários civis. Em nota, a assessoria da instituição disse que se sente honrada e enobrecida pela participação em tal movimento. “Apesar de o movimento ter sido derrotado, tratou-se de uma vitória política e do povo brasileiro, pois o término da Revolução Constitucionalista marcou o início do processo de democratização.”

No campo de batalha, os paulistas contavam com o apoio militar de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Mato Grosso, no entanto só o último manteve sua posição; já os dois primeiros aderiram à defesa de Vargas.

A devoção à causa era tamanha e evidente. Um exemplo disso ocorreu na cidade de Cunha. O agricultor Paulo Virgínio foi torturado no intuito de delatar a posição dos soldados paulistas. Obrigado a cavar a própria cova, antes de morrer disse: “Morro, mas São Paulo vence!”. Seu corpo, posteriormente, foi enterrado junto aos jovens do M.M.D.C. no mausoléu do Ibirapuera.

Com um número menor de combatentes que defendiam o Estado em duas frentes, ao Sul e ao Norte, São Paulo e Mato Grosso entregaram sua rendição no dia 2 de outubro do mesmo ano diante da precária situação de seus soldados e a eminência de uma invasão à capital paulista.

Números oficiais indicam a morte de 634 soldados paulistas, mas estimativas apontam a morte de milhares deles. O comandante das forças militares do Sul do Brasil, General Valdomiro Castilho de Lima, foi nomeado governador do Estado de São Paulo e dezenas de políticos ligados à revolução foram exilados. No entanto, São Paulo obteve sua vitória política no ano de 1934 com a promulgação de uma nova Constituição.

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