terça-feira, 24 de agosto de 2010

Eu ainda sou humano

Na foto da esquerda para direita: Pai de Ives Ota, mãe de Ives Ota, mãe de Mércia e irmã


Por Diego Calvo
Foto Diego Calvo

Quem é repórter fotográfico sabe que quando estamos em serviço a câmera serve de escudo, não deixando nos sensibilizar pelas coisas que vemos.
No entanto, em certos momentos, não dá para ser apenas um fotografo registrando um instante. Ali, na missa em homenagem a Mércia Nakashima, advogada assassinada na represa de Nazaré Paulista, meu peito apertou e meus olhos marejaram d’água. Apesar deste sentimento difícil de lidar, tive de fazer meu trabalho e fotografei.
Percebi que um parceiro de trabalho, Sidnei Barros, um bom fotografo e amigo, se afastou, rodou pela igreja, enquanto eu me distanciei um pouco da cena. Logo após nos aproximamos novamente, ele olhou para mim, nitidamente emocionado, e falou: “É nestas horas que percebemos que ainda somos humanos”.
Realmente. É nestas horas que sabemos que não nos entregamos completamente aos cadáveres do dia a dia, aos choros causados por pessoas inescrupulosas e as crianças morrendo aos montes por aí. Um simples abraço de perda, de saudades, de revolta, me fez repassar pela minha profissão e, de certa forma, ficar um pouco mais tranqüilo... Eu ainda sou humano!

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