quarta-feira, 6 de abril de 2011

O assassinato do Portuga

Texto: Diego Calvo
Foto: Diego Calvo

Ao sair de casa, em um condomínio no extremo leste da capital, me deparei com o portão de entrada de carro, como sempre, quebrado. Nele, colado com fitas adesivas, o corpo do nosso querido português.


Morreu, obviamente, assassinado ou, como dizem por aí, de morte matada. E foi morto pela ponta de uma caneta esferográfica azul e ressaltado com outra vermelha.

Como na maioria dos casos, foi morto pela falta de investimento do governo em educação. Imagino o assassino, ha uns 25 ou 30 anos, quando, com seu ‘shotinhos’ vermelho e sua camisa branca da Hering, ia para a escola primaria.

O criminoso, desde cedo, deve ter ignorado o velho portuga que, como um amigo sincero e intrometido, insistia em ajuda-lo a se comunicar com as outras pessoas.

Aos poucos, o ancestral bigodudo foi falecendo nas mãos do famigerado menino que, neste dia estranho de outono, já adulto, expôs as vísceras cheias de bacalhau do querido português a quem quisesse ver... pois eu vi e fotografei!

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