sábado, 9 de abril de 2011

Precisamos de culpados vivos



Texto: Diego Calvo
Foto: Reprodução TV

A humanidade precisa, em um momento de fúria, culpar alguém, xingar alguém, ter para quem desferir socos, ter a vontade de matar alguém. É compreensível e, sabendo disso, o poder público se adiantou em entregar, para a nação, os culpados vivos da tragédia protagonizada por Wellington Menezes de Oliveira — quem lhe facilitou o acesso a arma!


Porque só agora correr atrás de quem vende arma no mercado negro? Eu, e até mesmo você, caro leitor, temos acesso fácil as armas mais mortais existentes. Na África, uma AK47 é tão comum que chega a ser negociada em troca de galinhas. Mas porque isso agora se na TV aparece, a torto e a direito, traficantes fortemente armados andando pelas ruas do morro?

Eu digo por quê: Antes que nós nos viremos contra esse sistema de governo falido, cheio de amarras e com o rabo preso nas pastas bases de cocaína, eles acharam um culpado melhor, mais palpável e que livra suas nobres nádegas da mira alheia.

Quem não prestou atendimento a um jovem a beira de um salto sem volta ao precipício da loucura, foi um governo que paga mal aos professores, que limita o acesso a assistência social e que, por força do habito, dá exemplo de como surrupiar alguns reais por debaixo dos panos.

Precisamos de culpados vivos, mas não temos de engolir quem tem menos culpa no cartório como nosso Judas particular. Nosso Judas, esse sim, é essa precariedade da Segurança Pública que não viu que o chaveiro conhecia alguém, que conhecia alguém e este, também conhecia alguém.

Já estes “alguéns” estão livres por aí, vendendo armas a rodo. Tomara Deus que não, mas isso irá se arrastar até que mais Wellingtons da vida surjam para alimentar o ódio popular!

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