terça-feira, 3 de maio de 2011

O gato e a menina





Ela estava em seu quarto
O som da cidade entrava pela janela
Enquanto olhava para baixo
Para a rua que esperava por ela

O grito da dor em forma de sirenes
O uivo dos carros de policia
O burburinho das pessoas passantes
Que não se sabe como, chegava lá em cima

As paredes rosas e os bichos de pelúcia
Escondiam-se pela sombra do quarto
E lá, naquela enorme penumbra
Um miado, uma vida, um gato

O que ali fazia o bichano
No décimo nono andar da torre mais alta
Onde nem as moscas chegavam voando
Nem as que estavam dentro iam para fora

Naquele instante que o gato a olhava
Ela esqueceu de seus perigosos devaneios
De invejar as moças de roupa curta na calçada
Enquanto, dentro das longas roupas, escondia seus desejos

O gato, talvez, seria seu príncipe de almejo
Que, daquela masmorra, a libertaria
Como os sapos que se transformam com um beijo
Dentro dos contos fabulosos que ela nunca lia

Então se alegrou, como alguém prosaico
Que se alegra em um ensolarado dia
E buscou pegar o gato em seus braços
Mas deles, o gato, estranhamente fugia

Ela correu pelas sombras do quarto
Enfrentou o monstro debaixo da escrivaninha
Adentrou nas florestas de seu armário
Mas o gato, com suas velozes patas, fugia

Mas enfim, vestida de densa armadura
Ela conseguiu alcançar o escorregadio bichano
Segurou bem com as duas mãos em boa altura
E, com seus lábios, seu príncipe foi beijando

Mas a porta do quarto se abriu
E a luz entrou espantando a noite sombria
O gato virou fumaça junto ao breu
E então viu, não tinha floresta nem monstros
Porque ela era, e estava sozinha!

(Diego Calvo)

Um comentário:

  1. Ariel Rodriguez4:37 PM

    dIEGO ME GUSTAN MUCHO TUS POEMAS TIENES MUCHO TALENTO.uN ABRAZO,aRIEL !!!!!!!!!

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