quarta-feira, 25 de maio de 2011

A prisão de Pimentinhas, o Neves

Pimentas Neves matou pelas costas, confessou e, 11 anos depois, vai passar menos de 2 anos preso (foto reprodução)

Uma reflexão dos direitos carteirados previstos pela lei do mais forte

Por Diego Calvo

Comemorar a prisão de Pimentas Neves e dizer em alto e bom som: “A justiça foi feita”, na minha opinião, é uma tremenda idiotice, se não dizer que é abraçar e aprovar o que nossa intrincada lei, cheia de burocracia, proporciona.


Que demora um julgamento, isso todo mundo sabe. Seja para o rico, poderoso e influenciador, ou para o pobre, pé-rapado e canela cinza. No entanto, este segundo, costuma esperar o julgamento preso e, às vezes, fica cinco anos encarcerado para ser inocentado depois.

E o que dizer dos advogados do senhor Pimentas? Esses caras estão com a vida ganha. Não? Não pense que ganharam o “dindim” no julgamento de nosso cover de Papai-Noel. Não se iluda! Creio que eles nem cobraram honorários desse assassino travestido de jornalista.

Vou tentar ilustrar o que acontece. Imagine a cena: Um pai vai ao escritório dos advogados de defesa do bondoso velhinho Pimentinha, ele diz o seguinte, “Meu filho está sendo acusado de ter estuprado a empregada, mas quero que vocês entendam que não foi culpa dele, quem mandou ela ter cintura fina, bunda arrebitada e pernas torneadas pelos sacolejos dos transportes coletivos... Existe algo que possam fazer?”

O advogado ri e acalma o pobre pai, aflito pelo filhinho querido. “Olha aquela foto ali, tá vendo – e aponta para uma foto enquadrada na parede - é o Pimentas Neves, você deve conhecer. Esse cara confessou ter matado a namorada, pelas costas, mas conseguimos que ele ficasse em liberdade por 11 anos e, ainda por cima, vai ficar menos de dois anos preso, em cela especial por conta da comoção publica!” Pronto, ele pode cobrar o quanto quiser que o pai do queridinho estuprador irá pagar.

Para finalizar, eu não me surpreenderia se os juízes do Supremo recebessem um porcentagem por honorários.

O Brasil é um país que leva a sério o ditado “tarda mas não falha”, ou será que falha?

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