terça-feira, 28 de junho de 2011

Chuveiro, chuveiro meu


Texto Diego Calvo
Arte Erik Hideki

Cheguei do trabalho. Era tarde. Estava cansado, com fome e com frio. Minha idéia era tomar uma ducha quentinha e encarar um belo prato de miojo. Justamente isso que fui fazer, com a mais boa das motivações, pois, depois disso tudo, viria minha cama bem quentinha.


Tirei minha roupa com o chuveiro ainda desligado, claro, sou responsável e não fico gastando água a toa. Já nu e tremendo de frio, abri o registro do bendito e a tão esperada ducha iria começar.

Para meu desespero, o chuveiro não fez o barulho costumeiro. Antes de enfiar o corpo debaixo da queda d’água, coloquei a mão e verifiquei, infortunamente, que o chuveiro querido tinha me deixado na mão.

Meu corpo trêmulo, já arroxeado pelo frio, transmitiu seu desespero para meu cérebro que, por sua vez, se perguntou enquanto meus olhos lacrimejantes olhavam para o inanimado chuveiro: “Porque, logo hoje, em uma das noites mais frias do ano, fostes me deixar aos frangalhos por sua incompetência em funcionar... desgraçado!”

Xingar já não bastava. Envolto na toalha, retirei o chuveiro e o abri com minhas ferramentas, verificando, de cara, que a miserável resistência havia queimado. Tentei, como todo bom curioso, fazer uma gambiarra, mas não adiantou. O jeito era esquentar água no fogão e me banhar na canequinha.

Coloquei a água quente em uma bacia e, com uma tapawer, comecei o processo humilhante de molhar o corpo.

Nesse instante, transportei meus pensamentos para idades onde não existia energia elétrica. Como tomar banho sem aquele maldito aparelho que me deixou na mão? Mas meu cérebro, entrando em hipotermia, não deixava eu me concentrar nos pensamentos.

Nada que eu fazia espantava a frio. Meus mamilos estavam quase entrando para dentro do meu peito.

Corajosamente, ensaboei meu corpo. Em outras épocas, mais precisamente na minha infância, eu não passaria por isso, iria dormir sem tomar me banhar mesmo! Mas não, fui inventar de ser adulto!

O fogo mesmo foi quando percebi que água do balde estava acabando. Eu ainda tinha toda a parte inferior do corpo para tirar o sabão. Aí você iria me dizer: “Esquenta mais água!”. Como vou sair do Banheiro, todo ensaboado, para esquentar mais um punhado? Não meu caro, o jeito era me virar com o que tinha em mãos.

Comecei a jogar água de pouquinho em pouquinho pelo entorno de minhas pernas. Centímetro por centímetro ia tentando aproveitar ao máximo o líquido que escorria, delicadamente, pelo ralo do banheiro.

Pensei no futuro: “E quando a água estiver esgotando, será que vai ser assim? Banhos cada vez mais regrados e com esse sacrifício todo?” Lembra do que disse no começo do texto? Pois é, seja responsável com a água também, porque se eu tiver que me ferrar todos os dias por sua irresponsabilidade, te juro, vou desejar que você trabalhe em uma caldeira, para que soe bastante e não tenha água para se banhar!

Ah! Mandei o miojo para puta-que-o-pariu, e fui dormir com raiva.... e faminto!

Um comentário:

  1. kKkkkkkkKkkk caraio mano! Fiquei aki imaginando a cena KkkkkkKkkk, deveriam fazer um vídeo. Essa foi foda rsrs.

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