sábado, 7 de abril de 2012

Cultura extinta

SAUDADES DE MALHAR O JUDAS
Para nossa infelicidade, isso está acabando.

Por Diego Calvo
Foto (sem foto pois não achei ninguém malhando)


Lembro de tempos idos onde, quando era sábado de aleluia, eu acordava cedo, me encontrava com os amigos e começávamos o ritual de montar um boneco (com roupas velhas e serragem). Ao meio dia, saiamos pelo bairro, de bar em bar, batendo no boneco com pedaços de pau, socos e chutes. Os donos dos botecos jogavam balas para nós e os bêbados, ah, os bêbados não faziam nada, continuavam bebendo.

Esse ritual era chamado de “Malhar o Judas”. Os puritanos irão chamar esse ato cultural de selvagem. Dane-se! Era muito legal fazer isso. Você, meu caro leitor, já distribuiu porrada em algum objeto que não irá reagir contra você? Tente! Pegue agora seu travesseiro e comece. Depois me diga o que sentiu.


Voltando ao assunto, hoje, com a máquina fotográfica dentro do carro, percorri as ruas de meu bairro que fica no extremo leste da capital de São Paulo, afim de fotografar a pivetada fazendo o que eu fazia na infância.

Encontrei moleques ouvindo funk em celular sem fone, jogando bola, fumando maconha na pracinha, andando de patinete, xingando a mãe e, até, sentado na calçada sem fazer coisa alguma.
Fiquei triste ao perceber que este ritual está deixando de existir pois, por mais que rodei, não encontrei nenhum vestígio da esperada malhação.

Ainda bem! Dirão aqueles malditos puritanos. Ainda bem o cacete! Direi eu. Particularmente acredito que Judas cumpriu sua missão e não merece apanhar, mas fico triste quando uma cultura, ainda mais do mundo infantil, se apaga. Pode até haver isso em outros lugares do país, mas em São Paulo esta pratica está, praticamente, extinta. Fico triste, mas vamos lá.

Vou aproveitar aqui para pedir que, pelo menos, não acabem com as festas de Cosme e Damião, que aí seria atirar na cabeça de minha juventude. Quero que meu filho coma aqueles doces baratos que os devotos dos santos distribuíam de graça. Acho que isso é pedir demais né? 

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