sexta-feira, 18 de maio de 2012

Bandidos tentam censurar a imprensa



Não devemos ser cúmplices de marginais e nem recuar diante das ameaças. 

Por Diego Calvo
Foto Divulgação


Queria, aqui, colocar uma noticia alegre e que te fizesse rir e pensar, meu caro leitor, mas esta semana foi triste para a imprensa guarulhense. Primeiro, pelo caso do repórter fotográfico Alberto Augusto que, em uma matéria sobre carnes mal condicionadas, anteontem, teve uma lesão no braço esquerdo causada por um açougueiro que o agrediu para impedir a realização de seu trabalho.

Ontem, infelizmente, eu fui vitima de um grupo de bandidos que tentaram, a todo custo, impedir a cobertura de um velório. O morto era um ex-perueiro que havia sido executado no dia anterior. Cerca de sete homens que se diziam parentes e amigos da vítima, roubaram meu cartão de memória.

Eles me cercaram na mais pura covardia, impedindo minha fuga e meu direito de defesa. Ameaçaram minha vida caso eu não entregasse meu equipamento fotográfico.

Com muito custo, e não deixando ninguém tocar em minha Canon velha de guerra, que já me acompanhou em favelas, ações policiais e desastres ambientais, assim como em coberturas políticas e fotos de meu filho, mas fui obrigado a entregar meu cartão de memória aos bandidos.

Foram cerca de dez minutos de ameaças e ofensas e promessas de forte vingança. Ainda que eu tivesse me afastado do velório, por pedido da família e respeitando a dor dos entes, esses criminosos não quiseram saber das nuances da reportagem (que era feita para ajudar a não deixar impune os assassinos da vítima), e prometeram, com estas palavras, “nós vamos atrás de você caso saia (publique) alguma coisa!”

Respeito a categoria dos “perueiros”, mas estes marginais, disfarçados de trabalhadores, assim que souberam que a polícia estava a caminho, entraram em suas vans com símbolos de cooperativas licenciadas pela prefeitura, e partiram em disparada.  

Antes de mim, o repórter que estava comigo, também foi coagido.

Uma matéria sobre o fato foi feita para que o ocorrido não passe em branco e que aqueles que tentaram calar a imprensa, com brutalidade, paguem por isso.

A Polícia Militar (PM), pela pessoa do 3º Sargento Hesse, acompanhou o caso de perto e a Polícia Civil, com o delegado Xavier, também prometeu tratar do assunto.

Agora, por força de extinto, me cabe andar pelas ruas da cidade com os dois olhos bem abertos, sempre observando tudo antes de parar o carro e tomando muito cuidado com as novas ligações que virão.

Eles querem que me cale, mas não o farei. Calar é ser cúmplice do crime e isso, passo longe de ser.

Diego Calvo 

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