quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Findou o Jornal da Tarde, para os íntimos, JT



“Às vezes, a única coisa verdadeira num jornal é a data”, Luis Fernando Veríssimo; 
Não está fácil para ninguém.



Por Diego Calvo
Foto: Autorretrato

Não sou Matusalém do jornalismo, passo longe disso. Perto dos meus ídolos de profissão, sou um bebê. Bebê não, um embrião em formação, com muitos defeitos a serem lapidados pela natureza, no caso, por dias sem almoço em coberturas extraordinárias.

O que quero dizer, com este lide cheio de nariz de cera, é que, na verdade, não acompanhei com muita atenção a história do JT e nem vivi os tempos do jornal sem internet. Nunca mandei texto por telex e nem fotos por aparelhos que não incluíssem um teclado, um mouse, uma tela e entrada USB.

O que quero dizer, ainda com este sublide mais narizceirense ainda, é que a tecnologia, companheira facilitadora das coisas, também é algoz da forma tradicional de levar a notícia. Lembro que em 1992, e eu estava longe de ter um “Personal Computer” quanto mais internet, corri para a banca de jornal para comprar a edição que mostraria a conquista do primeiro mundial interclubes, que meu brilhante São Paulo havia ganhado. Como o jogo foi no Japão, aconteceu durante a madrugada aqui no Brasil, o jornaleiro me falou:

“Meu caro, na hora da partida o jornal já estava sendo entregue, por isso, você só vai ter a notícia amanhã”, voltei desconsolado, queria o pôster do grande campeão.

Nos dias de hoje, a internet já estaria abarrotada de notícias e imagens. Quem falou o quê, se o gol estava impedido, se houve briga na saída do estádio e a tão esperada foto oficial. A internet transformou a edição impressa em ultrapassada. Se antes a edição de ontem servia para embrulhar peixes, hoje é a edição de hoje, e desculpem o pleonasmo.

Por estar atrasado já na hora da impressão, os leitores estão trocando suas fontes de informação e, cada vez mais, os portais, dinâmicos e cheios de frescura, vão angariando “Pages Views” (páginas vistas) e os jornais vão sendo esquecidos nas prateleiras da banca do Seu Neemias.

Os anunciantes, fonte de renda principal, deixam seus anúncios escorrerem para a web e com razão, pois são mais dinâmicos, dá para colocar animações, vídeos e interações interessantes. Além do mais, com um clique, você vai para página dele e vê coisas que em século algum caberia em um anúncio de página inteira.

O problema disso tudo é ainda o saudosismo do papel. Na internet, qualquer um publica, mas no jornal não, existe uma certa mítica nele, algo comparado a heroísmo. Por exemplo, ao ver minha primeira foto publicada em um jornal, meu pai me abraçou, me beijou e aceitou que repórter fotográfico é, de verdade, uma profissão.

Não estou decretando a morte do jornal matinal que, após Gutenberg, nossos contemporâneos antepassados leem tomando um pingado na padaria. Mas, como disse minha diretora Cuca Fromer, em uma conversa que tivemos, mudando minha opnião sobre o fim do papel, “o jornal precisa se reinventar como o rádio o fez”.

Os tempos são difíceis meu caro, mas me lembro que alguém disse e cai muito bem agora: "Numa época de crise em que todos choram, há sempre alguém que se lembra de fabricar lenços". Não sei de quem é esta frase, mas sei que há de surgir, dentre os Matusalens, ou dentre os focas, uma ideia para seguirmos e depois dela pensaremos: “mas é claro!”.

Deixo aqui meu abraço aos colegas.  Já foi o Jornal do Brasil, agora, para o fim, adeus JT. 

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