quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Nossa vida é regida pela igreja muito mais do que pensávamos



Católicos alemães já podem tomar pílula do dia seguinte em casos de estupro. Acredite, estamos mais nas mãos das igrejas do que pensamos.


Por Diego Calvo
Foto Divulgação

Eu estava lendo uma notícia que, de primeira, achei uma prepotência deslavada: “Igreja católica alemã autoriza uso de pílula do dia seguinte em casos de estupro”, dizia a manchete. Minha primeira reação foi perguntar: E quem pediu sua opinião igreja católica alemã?

Lendo o restante da matéria, vi que o buraco é mais embaixo. Acontece que muitos hospitais do país são geridos pela igreja e uma ordem vinda do postulado da religião, afeta os procedimentos médicos exercidos ali.

A polêmica começou em janeiro, quando uma mulher recorreu a dois hospitais católicos, no país, após ser vítima da barbárie do estupro. Os médicos deram toda atenção necessária, mas, devido à posição da igreja que é contrária ao aborto, não medicaram a pílula do dia seguinte, ainda que a mulher implorasse por isso.

Criticada por diversos órgão e pela população, porque lá não é o Brasil, a instituição foi forçada a mudar suas regras do uso da pílula.

A argumentação da igreja foi que o método seria contraceptivo (impede que se forme o feto, como o anticoncepcional) e não abortivo (que “mata” o feto).  

Não entrarei no mérito se o aborto é uma escolha da mulher e blá blá blá. O que quero dizer, com isso, é que estamos mais na mão da religião do que diz nossa vã filosofia.

Quantos hospitais têm no nosso país com nomes de santo? Em 90% dos casos, estes recintos são geridos pela igreja católica e pergunto se aqui no Brasil, onde o estupro é tão comum quanto baiana vender acarajé, estes hospitais aplicam o procedimento contraceptivo da pílula do dia seguinte?

Me lembro de um caso que aconteceu em 2009, se não me falhe a memória, em que uma criança de 9 anos foi estuprada pelo padrasto, engravidou de gêmeos, e, claro, teve o aborto autorizado pelo poder público.

O arcebispo de Recife e Olinda, chegou a dizer que o aborto é mais grave que o estupro.

Sabe o que a igreja católica fez? Excomungou a garota!

Estou, com o perdão da palavra, “cagando e andando” para o excomungo da igreja, mas o ato em si já se torna repulsivo.

E se a Roberta Close tiver uma doença proctológica e tenha de fazer uma cirurgia emergencial? O hospital católico se recusará a atendê-la por ser contra homossexualismo? (nesse caso acho que o dinheiro contará mais alto).

Estamos mais nas mãos das religiões do que pensávamos, meu caro leitor! Não é a toa que “Deus seja louvado” está impresso no nosso dinheiro. Amém!          



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