terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Virar herói e morrer vilão

Na foto, da esquerda para a direita: Oscar Pistorios; Lance Armstrong e Aurélio Miguel

Os heróis servem para que nos comparemos com suas vidas “revolucionárias”, dando a impressão que recebemos ouro em vez de merda.
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Por Diego Calvo
Foto Montagem

O corredor Oscar Pistorios, garoto propaganda quando o assunto é força e superação, está vendo suas conquistas serem deixadas de lado por conta de sua vida particular.

Aos poucos vamos vendo que os heróis do esporte, permanecem heróis, no tempo necessário para que sua imagem imaculada sucumba diante de suas características de “psicopatia competitiva”.

Digo isso não só porque o cara matou a namorada, mas, na casa de Pistorios, a polícia encontrou esteroides  droga que aumento a performance do atleta e que é proibida no esporte.

As pessoas comuns transformam uma deficiência física, ou uma doença devastadora, de algum atleta, em estandarte para seguir suas vidinhas pacatas em frente: “Pistorios não tem as pernas e é medalhista olímpico, e você aí, ‘perfeito’, mas cansado demais para ir na padaria a pé!”, dizem apontando o dedo na sua cara.

Assim usaram o ciclista Lance Armstrong como exemplo em varias palestras motivacionais. “Ele venceu um câncer!”, disseram para que você aceite seu salário de merda e sorria quando a fatura do IPTU chegar no começo do ano.

Um psicopata competitivo faz tudo pela vitória, até se entupir de drogas performáticas, como revelou Armstrong, chocando o mundo e transformando-se em vilão da noite para o dia.

Agora temos o judoca Aurélio Miguel na berlinda. Lembro, em 1988, que o atleta levou uma fita do hino nacional brasileiro, já sabendo que os organizadores das competições de judô não teriam a música para tocar, devido o baixo aproveitamento de nossos atletas na modalidade.

Usaram a música que ele trouxe, pois o cara, no auge da forma, colocou o Brasil no topo, levando a medalha de ouro nas Olimpíadas de Seul.  Foi uma febre geral depois disso. As escolas de Judô lotaram e hoje temos varias medalhas em competições internacionais.

Salve Aurélio Miguel atleta, mas este se aposentou e resolveu entrar na política, como vereador pelo PR na capital paulista. Aí a cagada foi feita. O herói está sendo investigado por corrupção e há fortes indícios que o compromete.

“Morrer herói ou viver o suficiente para ver você mesmo virar vilão”, disse o saudoso Batman e faço minhas suas palavras.

Ah, se um dia eu virar herói (o que acho bem difícil), me matem no auge!   

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